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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Poesia de Carlos Drummond de Andrade

                                          PARA SEMPRE



Porque Deus permite
que as mães vão embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga quando sopra o vento 
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
 Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
-mistério profundo-
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Fonte:   Poesia Completa        Volume único
              Carlos Drummond de andrade
            Editora Nova Fronteira