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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

GESTÃO ESCOLAR


Como a gestão escolar pode contribuir eficazmente para a prática participativa na escola? 

Para entendermos a gestão escolar, vamos definir o que é administrar, segundo o dicionário:
Administrar é exercer mando, ter poder de decisão, digerir, gerir.”
Administração é um conjunto de princípios, normas e funções que tem por finalidade ordenar os
fatores de produção e controlar sua produtividade e eficiência para se obter determinado
resultado.
Vitor Paro, em seu livro “Administração Escolar: Introdução Crítica”, define o termo como a utilização
racional de recursos para a realização de fins determinados.
Também existem algumas escolas de administração, que desenvolveram algumas concepções políticas e
formas de organização e gestão. Estas escolas são:
a) Escola clássica ou de administração científica
b) Escola de relações humanas
  1. Escola Behaviorista
    d) Escola Estruturalista
Na escola clássica ou de administração científica, segundo o Professor Fernando Prestes Mota afirma que:
...alguém será um bom administrador à medida que planejar cuidadosamente seus passos, que organizar e
coordenar racionalmente as atividades de seus subordinados e que souber comandar e controlar tais
atividades.”

Baseados neste conceitos vistos, podemos afirmar que existem várias formas e concepções de se
administrar uma instituição social. E a Escola não deixa de ser também uma instituição social.
Segundo Genuíno Bordignon e Regina Gracindo, entende-se por gestão da educação o processo político-adminstrativo contextualizado, por meio do qual a prática social da educação é organizada, orientada e viabilizada. Mais dois conceitos permeiam este estudo sobre gestão. São eles: Gestão Educacional e Gestão da Escola Pública. A gestão do sistema educacional implica ordenamento normativo e jurídico e a vinculação de instituições sociais por meio de diretrizes comuns. “ A democratização dos sistemas de ensino e da escola implica aprendizado e vivência do exercício de participação e de tomada de decisão.” (Programa Nacional de Fortalecimento dos conselhos escolares, vol 5)

Na gestão da Escola Pública trata-se de uma maneira de organizar o funcionamento da escola publica, quanto aos aspectos políticos, administrativos, financeiros, tecnológicos, culturais, artísticos e pedagógicos, com a finalidade de dar transparência às suas ações e atos
e conhecimentos e saberes, ideias e sonhos, num processo de aprender, inventar,criar, dialogar, construir, transformar e ensinar.( Abádia Educadores e Educandos: tempos históricos)

A escola pública criada para ser espaço de formação dos dirigentes da sociedade, tornou-se o local universal de formação de homens e mulheres. A educação é entendida como processo de criação, inovação e apropriação de cultura, historicamente produzida pelo homem. Isto é: formar sujeitos participativos, críticos e criativos. Logo é função da escola criar projetos educativos numa perspectiva transformadora e inovadora, onde os afazeres e práticas não estejam centrados nas questões individuais, mas sim nas questões coletivas. Isso quer dizer que para a escola avançar, é fundamental considerar os espaços de formação de todos que trabalham, criam, brincam, sonham e estudam, enfim, de todos aqueles que dela fazem parte.

Também é fundamental não perdemos de vista que a escola é parte das relações sociais mais amplas e que as possibilidades históricas de sua organização passam pela sociedade política e civil, e nesse cenário, os processos de mudança vivenciados pelo Estado são um dos indicadores dos limites e das possibilidades da gestão escolar. (A administração ou gestão da escola:concepções e escolas teóricas- Curso Prófuncionário).
A escola, enquanto organização social é parte constituinte e constitutiva da sociedade na qual está inserida.

A possibilidade da construção de práticas de gestão na escola, voltadas para a transformação social com a participação cidadã, reside nessa contradição em seu interior. Desse modo, a gestão escolar é vista por alguns estudiosos como a mediação entre os recurso humanos, materiais, financeiros e pedagógicos, existentes na instituição escolar, e a busca dos seus objetivos, não mais o simples ensino, mas a formação para a cidadania. A gestão democrática, efetiva-se por meio da participação dos sujeitos sociais envolvidos
com a comunidade escolar, na elaboração e construção de seus projetos como também nos processos de decisão. De escolhas coletivas e nas vivências e aprendizagens de cidadania.


Na últimas décadas, no Brasil, vivenciamos um processo de mudanças causadas pelo incremento das relações sociais capitalistas, pelo expressivo avanço tecnológico e pela globalização do capital e do trabalho. Administrador escolar era o título de um cargo administrativo muito utilizado nas escolas, tanto na esfera pública quanto na esfera privada, em décadas passadas não muito remotas (anos 1960, 1970 e 1980). O diretor da instituição escolar respondia pelas funções administrativas, e sua atuação se fazia presente nas atividades de planejamento, organização. Direção e controle, nas quais era visto e compreendido como aquele que põe em prática as decisões, o conhecimento, além de fazer cumprir as questões legais previamente aprovadas pelas instâncias superiores, políticas, legais ou educacionais, fazendo, enfim, a escola funcionar diariamente.
A formação do diretor ocorria em faculdades ou universidades, no curso de pedagogia, como habilitação técnica, assim como era para a formação em supervisão escolar. Essa formação era regulada pela lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional (LDB), ou Lei nº 4024/61 ( a primeira LDB – preocupada com a autonomia do individuo). Posteriormente alterada pela Lei nº 55692/71 ( reforma do ensino de 1º e 2º graus – tinha por objetivo contemplar as oportunidades educacionais), que por sua vez foi substituída pela Lei nº 9394/96 ( mais preocupada com a formação de professores), atualmente em vigor. A formação desse profissional era predominantemente baseada na transmissão, de forma fragmentada, positivista e sistêmica, de conteúdos da administração de empresas e da administração científica, taylorista, e repassada automaticamente para a administração escolar, em que os conceitos vigentes à época eram de decentralização das decisões, de controle das atividades realizadas nas escolas, sob rígida supervisão das mínimas ações praticadas pelos professores, assistentes, auxiliares e outro profissionais, sem liberdade para outras iniciativas. A participação das pessoas nas decisões ou programações era mínima. O interior das escolas era organizado de maneira igual em todas as unidades escolares.
O Diretor não pode ser visto como mero aplicador de leis ou provedor de recursos materiais para a escola, deve antes ser pensado como o criador de novas atitudes, o estimulador do progresso e o mediador na solução de problemas e dificuldades dos vários elementos da escola.
O Diretor, portanto, desempenha um papel essencial na instituição escolar, porque, segundo a estudiosa Carmem Lúcia Prata, ele em a missão de identificar e mobilizar os diferentes talentos na escola e comunidade para que as metas sejam cumpridas e principalmente conscientizar todos para a importância da contribuição individual e coletiva na qualidade do todo.
A participação de toda a comunidade escolar em prol do bem comum da escola, vem de encontro com a gestão participativa, pois como bem vimos, auferindo os históricos anteriores da educação, o gestor de hoje, além de administrar o espaço físico da escola, tem por sua responsabilidade unir a comunidade em torno de um bem comum, que além de transmitir um saber histórico, cultural, aos alunos, traz para junto de si a família do educando, todos lutando pela melhoria do ensino, da transmissão de cultura e valores, que serão incorporados ao ser humano, criado no seio da escola.
Muitas são as dificuldades encontradas pelos gestores, para bom encaminhamento dos trabalhos na escola, pois tem sob sua responsabilidade, muitos atributos administrativos, como gerir os recursos oriundos de esferas superiores e afins. Mas além desta tarefa árdua de gerir recursos, é necessário ao gestor também ter uma visão ampla do ser humano, pois além de papéis a sua volta, tem muitas pessoas que dependem e esperam do gestor atitudes e gestos, que contribuam para a sua participação no meio escolar, em prol do bem comum. Os alunos, os pais, os professores, funcionários , supervisores, orientadores e demais profissionais da escola, norteiam seu pensar em prol do bem comum da escola, que é a formação de cidadãos preparados para um mundo de trabalho e profissional. O gestor deve garantir com suas atitudes, que a escola seja um lugar de participação, de dialogo, de respeito e de comunidade unida. O gestor que esta sempre unido a comunidade escolar, em constante progresso pessoal , ele tem a seu favor a união de todos para a resolução de problemas cotidianos e as vezes nem tanto. Quando a sociedade se une para ajudar uma comunidade escolar, o gestor será sempre o foco central, visto que se ele não esta unido com sua comunidade, com certeza estará fadado ao fracasso. Não é somente de prédios, carteiras e cadeiras que se constrói uma escola, mas sim de seres humanos.
Bibliografia:Formação de Professores e Escola na Contemporaneidade – Maria Graziela Feldamann